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A Verdadeira Responsabilidade Social 
(por João Carlos Rego)

           “Não basta a mulher de César ser honesta.
Ela deve parecer honesta”.
E
NÃO BASTA UMA EMPRESA “PARECER” TER RESPONSABILIDADE SOCIAL.
ELA DEVE, ISTO SIM, TER A VERDADEIRA RESPONSABILIDADE SOCIAL !

           Muito se tem falado em “Responsabilidade Social”, “Balanço Social”, “Marketing Social” e “Cidadania Corporativa”. Estas ações visam o progresso da sociedade em que as empresas estão inseridas, através do desenvolvimento melhor de seus negócios, ações sociais, relações com a comunidade e cuidados com a preservação do meio ambiente.
           Mas será o conjunto dessas ações a VERDADEIRA, ou a única, Responsabilidade Social das Empresas ? Convido meus amigos leitores a acompanharem esta reflexão.
           O primeiro objetivo de toda e qualquer organização é sua sobrevivência no mercado. E, para isto, é necessário um bom planejamento prévio, análise e pesquisa de mercado, bom controle de fluxo de caixa, capital de giro, rígido controle de custos, produtos e serviços de qualidade e preparação técnica e motivacional de seus colaboradores. Por falta disso, de acordo com as estatísticas, é elevadíssimo o índice das empresas que não consegue sobreviver aos primeiros anos do negócio.
           O segundo objetivo de qualquer empreendimento é gerar lucros para seus sócios e acionistas, a fim de que a empresa possa sobreviver e crescer. Com isso, a empresa começa a gerar postos de trabalho, aumenta sua produção e passa, assim, a proporcionar emprego e renda, a promover o desenvolvimento.
           Durante muito tempo sobreviver, crescer e gerar lucros foram os únicos objetivos das empresas. Para que estas alcançassem esses propósitos, pouco importava as condições sub-humanas que impunham a seus trabalhadores, as jornadas de trabalho impiedosas, a utilização de mão-de-obra infantil e a ação devastadora no meio ambiente. Ainda hoje, se ouve falar de denúncias de trabalho escravo e uso de crianças no processo produtivo. A indústria chinesa de brinquedos é um exemplo.
           É preciso lembrar que as primeiras Legislações Trabalhistas, que disciplinaram jornadas de trabalho e cercearam o trabalho infantil têm pouco mais de um século. As entidades que disseminam os conceitos com cuidados e preservação do meio ambiente bem menos tempo do que isto. E as questões de Responsabilidade Social, Cidadania Corporativa e ações de voluntariado são ainda mais recentes.
           De 1997, é a Certificação SA 8000, uma norma internacional de Responsabilidade Social, nos moldes das normas ISO 9000 e ISO 14000. Esta norma é coordenada pela Social Accountability International, uma ONG com sede nos Estados Unidos. Ela decorre das enormes pressões exercidas pelos consumidores sobre empresas e organizações que tratam com descaso as condições de trabalho em seu processo produtivo.
           A norma SA 8000 é baseada em diretrizes da Organização Mundial do Trabalho (OIT), da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Declaração Universal dos Direitos da Criança. Ela tem como objetivos regulamentar e fiscalizar questões como a saúde e segurança do trabalhador, discriminações de todos os tipos, a liberdade de associação, remuneração justa, jornadas de trabalho e horas extras, além da delicada e injusta questão do trabalho infantil.. A norma tem por objetivo, ainda, integrar num mesmo padrão de princípios não só a empresa, mas também seus funcionários, seus fornecedores, seus clientes e, ainda, a comunidade na qual a empresa está inserida. A SA 8000 é considerada o “Selo da Cidadania”.
           Todas essas pressões da sociedade, as quais ganharam enorme amplitude num mundo globalizado e com extrema facilidade de comunicação e de intercâmbio entre os mercados, desembocaram no que hoje se chama de “Responsabilidade Social”, um conjunto de práticas e referências éticas, filantrópicas e sociais.
           Segundo a Sra. Maria de Lourdes Egydio Villela, Presidente do Comitê Brasileiro no Ano Internacional do Voluntariado (2001), instituído pelas Nações Unidas, em entrevista à Revista Exame (edição especial Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa 2001), existem 53.000.000 de excluídos no Brasil, vivendo abaixo da linha de pobreza. Existem várias ações em andamento em nosso País, mas, diante desses números, as ações são tímidas. De acordo com a Sra. Maria de Lourdes, “Só a sociedade civil pode resolver – com pequenas ações diárias – os problemas sociais do País. Nos Estados Unidos, todo mundo é engajado e segrega quem não é”.
           Na mesma entrevista, a Sra. Maria de Lourdes menciona um dado que costuma ser citado pelo empresário Jorge Gerdau: “Cada real usado em ações de voluntariado multiplica-se por 12, ao passo que, de cada real desembolsado no pagamento de impostos, apenas 20 centavos chegam aos mais necessitados”.
           Desta forma, são louváveis todas as iniciativas das empresas e da sociedade em favor da inserção desses excluídos num mundo mais digno. Segundo Oded Grajew, Presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, “a ONU estima que a aplicação anual de apenas 0,6% do PIB mundial seria suficiente para que toda a população pobre do planeta tivesse acesso à educação, saúde, alimentação e planejamento familiar”.
           Mas é preciso que analisemos mais alguns dados. Ainda de acordo com Oded Grajew, “Vinte por cento da população mundial detém 86% da renda” e “a falta de estabilidade política e social é, como se sabe, uma ameaça à sociedade e, por tabela, ao mundo dos negócios”.
           Apesar de existirem belíssimos projetos de ação social tocados pela iniciativa privada e ações de voluntariado, há que se discutir outros aspectos. É o que eu chamo de ‘VERDADEIRA RESPONSABILIDADE SOCIAL”.
           Se, em nível mundial. 20% da população detém 86% da renda, no Brasil, talvez estes números sejam ainda mais dispares, uma vez que nosso País apresenta uma das piores distribuições de renda do mundo. Isto é Responsabilidade Social ?
           A mesma instituição financeira que desenvolve ações filantrópicas, é a mesma que desemprega milhares de trabalhadores. Segundo estatísticas do mercado, foram EXTINTOS nos últimos anos mais de 800.000 postos de trabalho apenas na atividade bancária. E a mesma instituição financeira que ajuda “uma creche aqui, um asilo ali” é a mesma que pratica as mais altas taxas de juros do mundo, deixando de financiar a produção e de fomentar o desenvolvimento. Procure se informar sobre o número de ações trabalhistas na Justiça do Trabalho pela falta de pagamento de horas extras por parte dos bancos. Isto é Responsabilidade Social ?
           Diante de contingências negativas de mercado, qual é a primeira coisa que as empresas, inclusive algumas que publicam “Balanços Sociais”, costumam fazer ? A resposta é uma só: DEMITIR ! Eu pergunto, novamente, onde está a “Responsabilidade Social” ?
           Vamos a um exemplo prático: os pátios das montadoras estão abarrotados de carros. São milhares e milhares de veículos. O que tem sido feito a respeito? As montadoras baixaram os preços para tentar desovar os estoques ? NÃO. O governo utilizou alguma política fiscal para aliviar as dificuldades do setor ? NÃO. Têm-se notícia que uma montadora tem negociado reduções salariais e de jornadas de trabalho para não demitir. Mas, também, têm-se notícia que outras já iniciaram as suspensões de turnos de trabalho e, por conseqüência, as demissões. Tem uma que tinha quase 50 concessionárias no Rio Grande do Sul e pretende reduzir este número para 38. Algumas já foram descredenciadas. Uma delas era revendedora há mais de 70 anos. Mais gente está indo para a rua.
           Ou seja, várias empresas que promovem ações filantrópicas e sociais são as primeiras a demitir diante de qualquer dificuldade de mercado. Diante de guerra de incentivos fiscais entre nossos Estados, fecham-se fábricas em uns e abrem-se em outros. Eu pergunto novamente: onde está a Responsabilidade Social ? E a comunidade que abrigou originalmente aquela fábrica, como fica? E os empreendedores que, atraídos por aquela fábrica, se estabeleceram naquela comunidade original, como ficam ? Exemplos disso não faltam: várias fábricas de calçados que saíram do Sul e foram para o Nordeste. Até uma grande montadora que ganhou “tudo isso e o céu também” para deixar de instalar sua fábrica no Sul e montar o empreendimento no Nordeste. Onde está a Responsabilidade Social ?
           O citado Guia Exame da Cidadania Corporativa enumera centenas de ações, de projetos sociais, culturais, comunitários, educacionais, de medicina preventiva, de promoção de saúde e melhoria de condições sanitárias, de preservação ambiental, de educação profissionalizante, de apoio à criança e ao adolescente, de apoio à terceira idade, de apoio a portadores de deficiência e de ações de voluntariado. São valores substanciais; são todas iniciativas dignas do mais alto apreço e admiração..
           No entanto, enquanto esses maravilhosos projetos atacam nossos crônicos problemas sociais “no varejo”, as demissões, o desemprego, com todas as suas tenebrosas conseqüências agravam os problemas “no atacado”. Senão vejamos:
           Recente estudo do Professor Márcio Pochmann, da UNICAMP, que já foi Secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, denominado “Globalização e desemprego: breve balanço da inserção brasileira” demonstra que O BRASIL JÁ É O SEGUNDO PAÍS DO MUNDO EM NÚMERO DE DESEMPREGADOS, com 11.453.600 trabalhadores sem emprego. Infelizmente, este trabalho não teve o destaque que merecia ter.
           Para chegar a esses números, o Professor Márcio cruzou dados das seguintes fontes: Organização Internacional do Trabalho, Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento das Nações Unidas. Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Escritório de Estatísticas da União Européia, Escritório de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, entre outros.
           Se levarmos em consideração os critérios que o IBGE utiliza para calcular nossas taxas de desemprego (uma metodologia de padrão internacional), poderemos, facilmente, chegar à conclusão de que esse número é três vezes maior. Isto sem levar-se em consideração os trabalhadores que, por força do desemprego, foram empurrados para a economia informal (estes formam um contigente de 12 milhões de pessoas).
           O desemprego é hoje um dos maiores flagelos do mundo e, certamente, a causa de inúmeros de nossos problemas sociais e do agravamento da crise na segurança pública. Trata-se de um enorme contingente de pessoas desesperadas e desesperançadas, muitas delas vivendo na miséria, sem ter, praticamente, mais nada a perder.
           Por isto, acredito que, além das ações que já promovem, A VERDADEIRA RESPONSABILIDADE SOCIAL de nossas empresas, de nosso governo, de nossas organizações, de nossos políticos e de nossos profissionais deve ser A GERAÇÃO E A MANUTENÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO.
           É preciso que as empresas estudem uma redefinição de seus papéis. É preciso construir um ambiente mais favorável às suas atividades. E isto se faz com trabalho, emprego e renda. Muitas empresas fazem das ações sociais apenas um marketing oportunista. Mas, como já dizia Lincon: “ninguém engana todo mundo o tempo todo”. O povo está atento e bem informado e será cada vez mais fiel àquelas empresas verdadeiramente cidadãs.
           Portanto, a Responsabilidade Social mais URGENTE é gerar e manter empregos. Cada trabalhador empregado gera inúmeros outros postos de trabalho. E o oposto também é verdadeiro. Esta é a nossa atual realidade: cada demissão provoca menos consumo, mais demissões, menos desenvolvimento e mais problemas sociais.
           Assim, todos juntos, promovendo A VERDADEIRA RESPONSABILIDADE SOCIAL, poderemos ajudar a construir uma sociedade mais justa e um País ainda melhor.

 

João Carlos Boiczuk Rego - é consultor, palestrante, conferencista, facilitador de treinamentos e idealizador da comemoração do DIA DO CLIENTE
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